Savarino na mira: Al Rayyan e Trabzonspor disputam meia do Botafogo por € 7 milhões

Savarino na mira: Al Rayyan e Trabzonspor disputam meia do Botafogo por € 7 milhões ago, 27 2025

Duas propostas iguais, um jogador-chave e uma decisão que mexe com o campeão da América e do Brasil. O venezuelano Savarino, 28 anos, virou alvo de Al Rayyan, do Catar, e Trabzonspor, da Turquia. Os dois clubes colocaram na mesa ofertas de € 7 milhões (cerca de R$ 41 milhões) pelo meia-atacante do Botafogo, abrindo uma disputa internacional por um dos nomes mais influentes do elenco alvinegro.

O momento não poderia ser mais sensível. Depois de conquistas históricas — Libertadores e Brasileirão —, o Botafogo vê seus protagonistas valorizados e cobiçados. A consequência é óbvia: vêm as propostas altas, o assédio estrangeiro e a necessidade de decidir rápido o que é melhor para o projeto esportivo e para o caixa. E a decisão sobre Savarino não deve demorar.

O que está na mesa

Al Rayyan e Trabzonspor ligaram o alerta em General Severiano com ofertas idênticas. O número chama atenção, mas está bem abaixo da multa rescisória de US$ 20 milhões prevista no contrato do jogador, válido até 2028. Ou seja, o Botafogo não é refém: tem margem para negociar e pode dizer não se entender que o valor não reflete a importância técnica do atleta.

Por que o Al Rayyan surge forte? O clube hoje é comandado por Artur Jorge, técnico que conhece bem o venezuelano dos tempos de Botafogo. Essa familiaridade pesa: ele sabe onde Savarino rende mais, que tipo de ajuste tático potencializa o seu jogo e como encaixá-lo sem curva longa de adaptação. Não por acaso, o clube já buscou outro velho conhecido do treinador, o volante Gregore, seguindo uma estratégia clara de montar um time com peças que entendem sua ideia.

O Trabzonspor, por sua vez, joga a carta da vitrine europeia. O clube turco se acostumou a disputar a parte de cima da tabela da Süper Lig e mira presença constante em competições continentais. Para um atacante de lado que gosta de campo grande, transição e bola no espaço, o campeonato turco costuma oferecer ritmo intenso e possibilidade real de destaque. A estrutura do clube e o ambiente competitivo do país funcionam como argumentos fortes em reuniões de negociação.

Há mais players no radar. O Besiktas, um dos gigantes de Istambul, fez sondagens iniciais. Na França, o Lyon monitora a situação. A mensagem para o mercado é única: Savarino está no topo da prateleira entre os jogadores atuando no Brasil. Quanto maior o interesse, maior a chance de uma escalada de valores — seja em bônus por metas, seja em percentuais de revenda.

E é assim que propostas desse porte costumam nascer e evoluir. Além do valor fixo, é comum aparecerem incrementos por objetivos (número de jogos, gols, títulos, classificação a torneios) e gatilhos que podem elevar o total desembolsado ao longo do contrato. Outra peça recorrente é o mecanismo de revenda: o Botafogo pode manter uma fatia de direitos econômicos para lucrar em uma futura transferência, o que ajuda a fechar a conta quando o valor inicial não chega à multa.

O fator salário também pesa. Clubes do Oriente Médio tendem a oferecer remuneração líquida muito competitiva. Na Turquia, os vencimentos são pagos em euro e há apelo esportivo. Em qualquer cenário, o Botafogo sabe que está competindo não só com uma proposta de compra, mas com um pacote completo de carreira para o atleta — financeiro, esportivo e familiar.

Do lado do clube carioca, o cálculo é delicado. Vender agora injeta dinheiro rápido, útil para manter folha em dia, reforçar elenco e equilibrar contas no pós-títulos. Manter o jogador garante continuidade técnica, química do time e profundidade de elenco num calendário que segue pesado. O risco? Uma negociação arrastada no meio da temporada pode afetar foco e planejamento, especialmente se surgirem ofertas maiores nos próximos dias.

Por que ele virou peça cobiçada

Por que ele virou peça cobiçada

Os números explicam bastante: em 73 jogos pelo Botafogo, Savarino marcou 17 gols e deu 16 assistências. Não é só produção, é variedade de soluções. Ele pode atuar aberto pela direita, cortar para o meio e finalizar, dar amplitude para abrir a defesa, ou flutuar por dentro como meia atacante. Tem leitura rápida de jogada e executa bem a finalização de primeira — a voadora contra o Internacional no Brasileirão virou cartão de visita perfeito desse repertório.

Na campanha recente do Botafogo, o venezuelano foi peça de ligação entre transição e último terço. É aquele jogador que acelera quando precisa e pausa quando o time pede calma, algo valioso em mata-matas da Libertadores e nas maratonas de pontos corridos. Quando o adversário fecha as laterais, Savarino aparece entrelinhas; quando abre o bloco, ele ataca as costas dos laterais. Em um time que viveu de intensidade, ele somou técnica e tomada de decisão.

A vitrine, claro, ampliou. O título continental e o Brasileiro aumentaram o peso do elenco no mercado. Clubes de fora olham para jogos grandes, lances decisivos, constância. E o venezuelano entregou nesses cenários. Não é só sobre gols e assistências; é sobre impacto em partidas-chave — as que decidem taça ou abrem caminho para título. Isso, para quem compra, reduz incerteza.

Há também o histórico de carreira. Formado na Venezuela, ele ganhou corpo competitivo no Real Salt Lake (MLS), passou com bom rendimento pelo Atlético-MG e chegou ao Botafogo mais maduro, acostumado a diferentes culturas táticas. Essa trajetória diz a técnicos e dirigentes que a adaptação não tende a ser longa, seja em um elenco mais físico, como o turco, seja em um time com alto controle de posse, como alguns cataris.

Idade e contrato ajudam a explicar o preço de partida. Aos 28, ele está no auge físico e técnico. Contrato longo (até 2028) dá força ao Botafogo nas conversas. A multa de US$ 20 milhões estabelece uma âncora clara: quem quiser levar sem negociação precisa ir muito além dos € 7 milhões. Entre esses dois pontos, há um campo fértil para composições que deixem todo mundo satisfeito — o clube vendedor, o comprador e o jogador.

O que o Botafogo pode fazer? Três caminhos aparecem com nitidez: segurar, negociar ou esticar a corda para arrancar mais. Segurar significa, muitas vezes, rever salário e incluir bônus de desempenho, além de sinalizar protagonismo no projeto esportivo. Negociar passa por puxar o valor fixo para cima, aplicar bônus atingíveis e garantir percentual de revenda. Esticar a corda é explorar a concorrência entre interessados e esperar um lance acima da casa dos € 7 milhões.

O calendário da janela também entra na equação. O período de meio de ano abre várias portas na Europa e no Oriente Médio, e a competição entre ligas costuma acelerar decisões. Quando dois clubes chegam com cifras iguais, quem ganha tração é quem oferece melhor pacote total e menos incerteza: pagamento à vista, bônus claros, plano esportivo transparente, tempo de adaptação curto e papel central no time.

Para o jogador, a decisão é multifatorial. O Catar oferece conforto, estabilidade e salário líquido alto. A Turquia dá ritmo competitivo e exposição europeia. Ficar no Botafogo mantém o status de peça-chave em um elenco campeão, com chance real de disputar mais taças e de seguir elevado em vitrine continental. Dependendo do apetite do mercado, um movimento agora pode abrir outra porta ainda maior daqui a uma temporada.

Se a venda sair, o Botafogo perde velocidade, imprevisibilidade e poder de decisão no último terço. O encaixe coletivo muda: alguém terá que assumir a faixa direita, o balanço defensivo precisará ser ajustado e o time perde uma opção confiável para atacar espaço nas costas da defesa. A reposição pode ser interna — promovendo minutos a quem já está — ou externa, no mercado, buscando perfil próximo (ponta rápido, com gol e capacidade de associação).

Se ele ficar, o ganho é de continuidade. O entrosamento com os demais titulares não precisa ser reconstruído, a mecânica ofensiva se mantém, e o técnico segue com uma referência de confiança em jogos grandes. Em temporadas de calendário longo, estabilidade costuma ser meio caminho para seguir competitivo.

No fim, a equação tem linhas claras: proposta inicial de € 7 milhões, contrato até 2028, multa de US$ 20 milhões, disputa real entre Al Rayyan e Trabzonspor e sondagens de Besiktas e Lyon no retrovisor. O Botafogo tem tempo curto, mas poder de barganha. A decisão passa por preço, prazos, bônus, projeto de carreira e apetite do mercado para elevar a oferta. Quando o assédio vem forte, quem sabe exatamente o que quer chega primeiro à assinatura.

Enquanto isso, Savarino treina, joga e mantém a rotina de quem virou alvo preferencial do mercado. O relógio da janela corre, os telefones tocam, e cada nova conversa pode mudar o rumo de uma negociação que já extrapolou o território nacional.

  • Dois clubes com propostas iguais: € 7 milhões.
  • Contrato no Botafogo até 2028; multa de US$ 20 milhões.
  • Al Rayyan aposta na conexão com Artur Jorge; Trabzonspor oferece vitrine europeia.
  • Besiktas e Lyon monitoram e podem aquecer a disputa.
  • Botafogo avalia preço, bônus, prazos e impacto esportivo antes de bater o martelo.